Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

DC online publica ensaio fotográfico com imagens de países da América Andina



Nesta semana, o site diario.com.br publicou o ensaio fotográfico da viagem realizada por mim e pelo Maurício Haas aos países da América Andina.


O texto de apresentação foi (muito bem) escrito pelo Beto Saraiva e, além da galeria com o ensaio fotográfico, conta com um vídeo gravado pelo Maurício registrando a Morenada, uma manifestação popular na Bolívia.


Nossa, que viagem!


A viagem foi realizada em 2007 e fez parte do TCC que o Maurício apresentou na conclusão de Jornalismo pela Univali, além de dar início a minha aventura de dois anos como freela.

Eu - que não despertava a atenção, camuflado entre os aymarás e quéchuas, baixinhos de pele morena - e o Maurício - com a cara de gringo, alto e branquelo - visitamos a Bolívia e Peru, com uma experiência de 30 horas seguidas dentro de um ônibus, acompanhados de uma família alemã-galopeira saída do filme Os Outros, atravessando o Paraguai de Norte ao Sul.

Durante a aventura, registramos algumas impressões imediatas no blog América Andina.


Ensaios fotográficos

O site tem divulgado quinzenalmente os ensaios fotográficos realizados por seus colaboradores. A maioria é de repórteres fotográficos, obviamente, e acredito que fui o primeiro "alienígena" a se aventurar nesse setor.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Wander Wildner se apresenta em Florianópolis no Projeto Rock

Cantor será acompanhado pela banda Banho de Lua no show da turnê La Canción Inesperada


Na próxima quarta-feira, 20, o músico gaúcho Wander Wildner se apresenta em Florianópolis em mais uma edição do Projeto Rock. O criador do punkbrega desembarca na Ilha para o show de sua turnê La Canción Inesperada.

O álbum que dá nome a turnê foi lançado em 2008 e é uma coleção de canções criadas a partir da parceria com músicos sulistas. Entre eles, os catarinenses da Stuart, de Blumenau, e Os Pistoleiros, de Florianópolis.

O show de quarta, acontece no John Bull Pub, na Lagoa Conceição, e Wander Wildner se apresenta ao lado dos músicos da banda florianopolitana Banho de Lua. Além das canções do novo álbum, Wander deve relembrar seus clássicos punkbrega em canções como Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo, choramingar as amarguras sentimentais em Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro e presentear o público com Surfista Calhorda e Hippie-punk-rajneesh, da época em que comandava o vocal da banda Os Replicantes.

La Canción Inesperada em uma Jam Session

Para não deixar o clima brega da festa se esvair pela noite como a fumaça do cigarro aceso, o Projeto Rock assume seu papel e leva ao palco do John Bull Pub os músicos e amantes inveterados da banda Los Rockers, que passeiam pelo punk do fim da década de 1970.

A noite se encerra com a apresentação de outros músicos do Projeto Rock no palco mais movimentado da Lagoa da Conceição. Assim, os cancioneiros se reencontram para arrancar suspiros das mulheres resolvidas que, possivelmente, lotarão a platéia. Afinal, não há melhor combinação para uma Canción Inesperada do que uma animada Jam Session.

Texto: Elton555 Foto: Rochelle Costi/Divulgação

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Cabeça a prêmio


"Sou um artista urbano de vanguarda" (Westphal; E.)

Foto: Elton555

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Hey! Eu quero ser seu amigo de novo...


go to...


Os gaúchos da Cachorro Grande se apresentaram no John Bull Pub, Lagoa da Conceição, na quinta (23/4) acompanhados, na sequência, pela Banda .X., de Florianópolis.

As fotos feitas pelo Perrito foram publicadas no diario.com e estão disponíveis aqui.

A Cachorro Grande foi convidada pela banda britânica Oasis para subir ao palco na turnê de apresentação de seu último álbum Dig Out You Soul.

Os músicos ingleses farão quatro apresentações no Brasil em maio. A turnê começa no Rio de Janeiro, dia 7. Em São Paulo, no dia 9, e dia 10 é a vez de Curitiba. A turnê brasileira termina em Porto Alegre, no dia 12.

* Dia 20 de maio, quarta-feira, tem Wander Wildner e Projeto Rock no John Bull Pub, em Florianópolis

Texto e fotos: Elton555

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Ressurgindo nas Cinzas

Os Berbigão

Há um animal, uma ave para ser mais exato, imponente e de extrema vitalidade que desde a antiguidade é notoriamente lembrado por lendas que descrevem seu ressurgimento das cinzas. Na Capital catarinense há outro ser animado capaz de se erguer do amontoado de material carbonizado para alcançar novamente o auge do vigor. Representado por um bichinho minúsculo, um molusco muito conhecido pelos ilhéus¸ o berbigão é a nossa fênix do pé rachado. Não, não se trata de uma lenda de Franklin Cascaes.

Em janeiro deste ano, o Porão Estúdio, onde a banda Os Berbigão ensaiava, foi parcialmente destruído por um incêndio que, provavelmente, iniciou na madrugada e só foi descoberto no início da manhã. Parte dos instrumentos adquiridos pelos músicos ao longo dos anos estava no local e sofreram avarias ou foram totalmente destruídos. Não há um levantamento exato do prejuízo, mas o vocalista e guitarrista Luciano Postal calcula que cerca de R$ 15 mil foram consumidos pelo fogo.

Formada há nove anos, Os Berbigão escreveu seu nome nos principais eventos musicais catarinenses e já se apresentou nas principais casas noturnas do Estado. O momento era inoportuno (se é que existe momento oportuno para algo nesse sentido), pois a banda havia lançado recentemente seu terceiro álbum – VENTO – e se preparava para iniciar o ano em plenos trabalhos de divulgação do material. Os planos para 2009, de acordo com Luciano, eram os de participar ativamente de festivais musicais e divulgar as canções autorais da banda.

Mas na última quarta-feira, a de Cinzas, Os Berbigão ressurgiram. Um show no John Bull Pub de Florianópolis organizado pelo Projeto Rock reuniu fãs da banda e apreciadores do evento. Repertório estruturado com o rock do Reino Unido – The Who, U2 e Oasis – e canções nacionais, com destaque, obviamente, para as composições autorais da banda: Pés no chão, Basta você dizer e Cigarro.

A apresentação d’Os Berbigão foi seguida da tradicional Jam na qual se baseia o Projeto Rock. Músicos das bandas .X., Old e Funkizilla fecharam a noite tocando o que há de melhor do classic rock fazendo com que o público dançasse até o fim da festa. A edição extraordinária do Projeto Rock, além de trazer ao palco a conhecida banda florianopolitana, teve o objetivo de auxiliar Os Berbigão em sua reestruturação. Para que isso se tornasse possível, a renda adquirida com a festa foi doada aos Berbigão.

Texto e fotos: Elton555

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Azarado, uma ova!


Atravesso uma fase de má sorte desde que deixei a casa de meus pais e segui o conselho que Lobo Larsen ofereceu ao novato Hump. Desejava caminhar com minhas próprias pernas, cavar a vida se por um acaso me visse só. Pois foi o que fiz, ou melhor, busquei fazer. Periodista graduado, decidi mergulhar na correnteza do mercado profissional da cidade grande. E encontrei algo semelhante ao que conheci no rio Iguaçu, no trecho logo após as cataratas. Ali as águas são aparentemente tranqüilas na superfície, mas têm grande turbulência centímetros abaixo da lâmina. Na Capital, por analogia, não há grandes mudanças no cenário da mídia, no entanto, quem entra precisa ficar longe dos rodamoinhos.

Logo no primeiro mês, uma noite de decisão futebolística se estendeu até o fim de uma caixa de cervejas em latinhas. Passava da primeira hora da manhã quando alguém puxou o violão e começou a ensaiar os solos de guitarra. Não deu outra. A síndica em pessoa e trajes de dormir apareceu na porta do apartamento para reclamar. Logo ela, a criatura mais inútil que colecionava vasos de violetas sobre o balcão da cozinha. Pois não passaria muito tempo e, novamente, ela precisaria interromper a melodia. Dessa vez não se deu ao trabalho de descer. Da própria janela da sala solicitou o silêncio. É muito azar morar no apartamento embaixo da síndica! Afinal, não adiantava discutir porque ela sempre estava por cima.

Todas as manhãs eu acordava às 7h30min e a síndica meia hora antes. Como eu sabia? Por complexo de nanismo, penso eu, ela dormia de salto alto e acordava sapateando sobre minha cabeça. Toc! Toc! Toc! Passos curtinhos que suas curtas pernas permitiam. Embriagado, eu, a imaginava embriagada na canção do Raulzito. E num acorde sustenido ela iria se escancarar. Enquanto isso não acontecia e para não ser mais acordado pelo galopar inoportuno, decidi acordar meia hora mais cedo. Assim, dormia sem fazer barulho e levantava antes que o barulho se fizesse.

Mas, voltamos ao caso profissional.

No mercado de trabalho há pessoas que estão por cima e há aquelas que acham que estão por cima. Conheço muito bem o segundo tipo. Minha renda inicial, aqui na Capital, foi garantida por um empreiteiro da construção civil que decidiu apostar na idéia de um casal de irmãos. Ela, esforçada e metódica. Já ele, preguiçoso e garganteador. Bom de papo o tal rapaz me levou na conversa facilmente prometendo um escritório com computadores novos para o início do trabalho. Na realidade, o escritório não passava da sala do apartamento sem mobília alugado com o dinheiro do tal empreiteiro serrano.

Larguei tudo para dedicar meus esforços na campanha política de um jovem e já decadente deputado. Afinal, entre suas damas de companhia havia um assessor direto que já foi extinto e um corneteiro oficial que havia ficado velho e gordo antes mesmo de envelhecer. Para esse trabalho, fui contratado pelo matusalém da fotografia brasileira que, como não poderia deixar de ser, também achava que estava por cima. Ele até lembrava o ímpeto do Lobo Larsen, porém, era só focalizar mais de perto e constatar que a única semelhança entre os dois estava na embarcação. Ambos comandavam a “Ghost”.

Decidi, então, abandonar o periodismo. Ou seria, o preciosismo?

Se for para caminhar com as próprias pernas, concluí, quero que seja em uma lida braçal. Preciso sentir que há valor na força das minhas mãos. Por sugestão de um amigo e indicação de um conhecido acabei empregado em uma peixaria do Mercado Público, a banca do Conde. O salário não era dos melhores, mas pagavam sem falhas e quinzenalmente. Minha obrigação era descarregar os caminhões cheios de peixes que chegavam ainda na madrugada. Com botas e um avental eu iniciava às 4h e só parava às 9h. O cheiro forte do peixe que congela nos barcos ainda em alto mar e descongela nos caminhões ainda na auto-estrada nunca me puseram empecilhos. O problema foi o apelido que ganhei logo ao chegar.

Como não havia um calçado adequado ao meu pé recebi provisoriamente um par três números maiores. O nervosismo da primeira manhã de trabalho, o piso metálico do baú frigorífico encharcado pelo desgelo e um passo em falso me levaram ao chão. “Mas como sou azarado!”, lamentei. “Azarado”, repetiram os espectadores em gargalhadas. Se estivesse no navio de Lobo Larsen, meu apelido talvez soasse melhor, em inglês. Mas ali, na banca de peixes, passei a ser conhecido por Azarado mesmo. Até tentei levar para o lado bom, afirmando que o Azarado iria Azarar todas as meninas que passassem por ali. Entretanto, quando se é um exército de um homem só não há muito que fazer.

O tempo foi passando e fui me tornando um dos melhores descarregadores daquele condado, como era conhecida a cercania da banca do Conde. Conhecia os tipos de peixes e a época propícia para a sua pesca. Era especialista em descarregar cargas vivas e abastecer os congeladores da peixaria. Quando faltava algum vendedor também me chamavam para fazer uma hora-extra e embolsar uns trocados. O Azarado estava com vento a favor, mas o apelido não desapareceu. “Chamem o Azarado que hoje o Dimaiami faltou”, berrava o Conde sempre que seu vendedor mais experiente resolvia não aparecer.

Dimaiami tinha uma pequena padaria que a esposa gerenciava. Ele acordava cedo, antes das 4h, colocava o pão para assar e às 8h assumia a peixaria. O apelido surgiu quando ele foi pedir emprego na banca do Conde e ao ser perguntado de onde era, respondeu: de Miami. O problema é que Dimaiami gostava muito de futebol e quando resolvia ir ao estádio nunca voltava cedo para casa e isso refletia na rotina do dia seguinte. A mulher tinha que preparar a massa e colocar no forno. E só me restava assumir seu posto na venda de peixes.

Certo dia, Dimaiami decidiu deixar a peixaria e se dedicar em período integral ao ofício de padeiro. Então, fui promovido. Um salário fixo acrescido de uma porcentagem sobre as vendas. Nada mal. Afinal, não havia um período melhor que o outro. Se no inverno havia o consumo de tainha, o verão era impulsionado pelo consumo de ostras, ser vivo afrodisíaco. Mas afrodisíaco mesmo, dizem, são as ovas da tainha. Uma tripa amarelada de fêmeas fecundas e muito apreciada para o preparo de farofas ou simplesmente fritas, como acompanhamento para um copo de cerveja.

Foi justamente o interesse pela especiaria que um dia conheci a mulher mais linda que já havia encontrado naquele condado. Alta, cintura fina e quadril largo. Gestos delicados. Pele bronzeada pelo sol contrastando com os cabelos longos, loiros e soltos. Enfim, mulher do tipo que marmanjo olha e não faz nenhum esforço para disfarçar que está olhando. Pois bem, ela se aproxima, caminhando decididamente. Perfume adocicado. Olha para mim e diz: Azarado, uma ova!
Texto e Foto: Elton555

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Entrevista como um vampiro

Gustavo Kuerten no auxílio aos atingidos pela chuva no Vale do Itajaí

Antes de iniciar qualquer discurso já vou avisando que este texto é resultado de uma entrevista mal-sucedida. É noite e a data exata não importa. Chove forte em Florianópolis como vem acontecendo nos últimos meses em Santa Catarina. Pois é exatamente este o motivo pelo qual um pequeno grupo de pessoas se reuniu em uma residência no bairro Parque São Jorge. A área de festas, no piso superior de uma bela casa, foi transformada em... Pausa: pensei em utilizar “quartel-general” para cair no clichê de comparar tudo ao estado de guerra, mas vou tentar escapar da pieguice. Prosseguindo: a área de festas foi transformada em uma animada, mas concentrada união de trabalhos para separar e encaixotar donativos que serão destinados aos atingidos pelo desfecho trágico no último ato do drama da chuva.

Perceba caro leitor, que no primeiro parágrafo utilizei alguns termos referentes à dramaturgia. Acho que acabei por me envolver com o clima pré-vestibular do personagem principal dessa reportagem. Pois é, entre os voluntários do turno da noite, o ex-tenista e futuro acadêmico Gustavo Kuerten selecionava, dobrava e encaixotava peças de roupas vindas de diversos pontos de coletas de donativos distribuídos pela Grande Florianópolis. Do alto de sua estatura magricela e vestindo o agasalho branco da Diadora com o qual fez o aquecimento para sua última partida oficial em solo catarinense. Mesmo agasalho utilizado dias depois na homenagem que lhe foi prestada pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina.

Guga permaneceu sereno durante todo o tempo, evitando provocar risadas com seu jeito espontâneo de ilhéu. A baixa intensidade da luz e o silêncio quase absoluto entre os voluntários me incomodavam. Eu esperava o momento certo para iniciar uma conversa. Queria trocar uma idéia com o cara que, para mim, viveu perfeitamente a ideologia do esporte e do atleta. Mas não consigo interromper o esforço tão necessário para suprir uma vontade pessoal de ter no currículo uma entrevista com o cara.

Lembro da conversa que Alberto Korda concedeu à revista Caros Amigos. Ele narrou a dificuldade de fotografar Ernesto Che Guevara depois da tomada de Cuba. “Deixa a câmara aí, vem ajudar a gente a cortar cana...”, ralhava o revolucionário argentino. Korda, para quem não conhece, é o autor da célebre fotografia de Che com a boina militar, semblante fechado e olhar fixo no horizonte. Avalio que, por bem, é melhor deixar o Guga continuar sua tarefa humanitária.

Os trabalhos prosseguem e os donativos, um a um, são preparados para o transporte no dia seguinte até as áreas atingidas no Vale do Itajaí. O tempo avança e somos chamados para uma refeição. Café, pão, queijo, presunto, e a chuva continuava insistente no lado de fora. Engulo meia xícara de café sem açúcar para dar tempo de ir ao banheiro antes de retornar à labuta. Do momento em que a porta do banheiro se fecha até o momento em que a porta se abre, não recordo de nada. A sensação que tenho é que meu corpo entrou, mas minha consciência permaneceu do lado de fora.

Não faço idéia de quanto tempo permaneci lá dentro. Quando saio, o grupo de trabalho estava disperso. Alguns já haviam ido embora e outros se despediam. Novo corte de percepção do mundo e me encontro do lado de fora da residência. Na calçada, embaixo de chuva, atravesso a rua e vou para o meu carro. Caminho lentamente, olhando as poças iluminadas pela luz do poste.

Claridade intensa da manhã ensolarada. São 6h20min.

Texto e Foto: Elton555